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A nada emocionante vida dos empreendedores idealistas, que devoram livros e seguem todos os influencers, mas nunca fizeram nada – nem por eles mesmos
Autor: Felipe Gentil

A nada emocionante vida dos empreendedores idealistas, que devoram livros e seguem todos os influencers, mas nunca fizeram nada – nem por eles mesmos

Se todos os empreendedores idealistas tirassem a bunda do sofá pra fazer alguma coisa, já estaríamos em 2075, ninguém mais precisaria “entrar” na internet e as faculdades – do jeito que você conhece – não existiriam mais.

Desculpa, não quero alfinetar quem se incomoda por nunca ter tirado aquele projeto foda do papel. Na verdade prefiro acreditar que nenhum empreendedor “é” idealista. Ele “está” idealista.

Claro que isso não quer dizer que o negócio vai dar certo. Muito pelo contrário, a maioria das boas ideias não passam de boas ideias mesmo.

E eu já estive nesse lugar! Eu e o Enzo, meu amigo-sócio-fundador, trabalhamos em cima de uma ideia durante mais de um ano antes de eu ser forçado a dar o primeiro passo.

Ironicamente, bem no dia seguinte ao feriado do dia de finados de 2015, eu fui demitido da XP Investimentos. Depois de quase 5 anos de uma carreira que me fez muito feliz no mercado financeiro.

Detalhe: eu tinha assinado o contrato de aluguel de um novo apartamento em São Paulo na sexta, véspera do feriado, que caiu numa segunda-feira. Eu fui para o Rio nesse final de semana. Deixei minhas malas na sala, peguei o carro e fui.

Primeira lição do texto: veja sempre as coisas pelo lado positivo!

Olha que maravilha: com a minha demissão, eu não precisei nem desfazer as malas! Só coloquei as coisas no carro e voltei pro Rio. Liguei para a minha mãe da estrada: “Oi mãe! Fui demitido, posso ficar na sua casa um tempo?”

Eu ouvi o coração dela bater na linha. Mas sobreviveu para ver as coisas darem certo 🙂

E as coisas maravilhosas dessa demissão não param por aí: exatamente nessa semana acontecia a CASE, do SEBRAE, em SP. Eu estava louco para ir, mas não podia por conta do trabalho.

O dia 3/11/2015 era o último dia do evento. Eu fui demitido por volta das 15h, saí correndo da empresa, fui em casa botar uma calça jeans no lugar da social (acabei de perceber mais um ponto positivo: nunca mais usei calça social) e fui pro evento.

É nesse momento que a minha ideia, coitada, começou a suar

Empreendedor

Olha, a história das ideias que não passam de boas ideias não quer dizer que o negócio dá errado. Por exemplo, a ideia que eu e Enzo tivemos lá atrás não tem qualquer semelhança com o que a Proseek é hoje.

E quem vai dizer que ela não teve mérito só porque não funcionou como negócio?

Minha ideia foi a razão pela qual eu, depois de receber troféu de referência da empresa no evento anual com todos os colaboradores presentes e que chegava todo dia 8h e ia embora 22h, passei a chegar 10h depois de trabalhar de madrugada pela Proseek e sair 18h15min, só pra não ser cara de pau como se batesse o sino da escola.

Sem dúvida nenhuma, o primeiro passo é o mais importante. Os outros – posso dizer depois desses 3 anos – são muito mais fáceis.

Sabe por quê?

Gosta de Batman? Vou assumir que sim.

Sabe a cena em que o Bane explode as bombas debaixo do estádio de futebol americano e o jogador corre inocentemente enquanto o chão desmorona atrás dele?

Pois é, os outros passos são mais ou menos assim. Ou você se move – rápido – ou vira estatística.

O meu primeiro passo foi nesse dia, na CASE, quando fui jogado na roda de mentores de uma aceleradora do Rio.

“Faz seu pitch aí”, eles disseram.

Eu não sabia o que era “pitch”, mas entendi pelo contexto.

Até hoje não sei o que foi, mas alguma parte do que eu falei os caras gostaram, me convidaram para fazer o processo seletivo da aceleradora e eu entrei.

Esse foi o dia em que eu tirei a minha bunda do sofá.

Hoje eu vejo muita, mas muita gente mesmo, presa às limitações que só existem na cabeça delas. E não é discurso motivacional não, é sério.

Sabe como eu sei?

Dá uma olhada na lista (resumida) de capítulos que você poderia esperar de uma jornada de quem empreende do verdadeiro zero:

Hoje é o milésimo centésimo nonagésimo sétimo dia de vida da Proseek e cada um desses dias foi construído nele mesmo.

De vez em quando eu assusto meus investidores com a velocidade com que mudo a direção do barco, mas pode saber: não existe qualquer planejamento de longo prazo que supere o direcionamento que os aprendizados do dia a dia da execução te mostram.

Eu não posso afirmar por toda a classe dos empreendedores do Brasil, mas cara, risco é comigo mesmo.

Quem me conhece sabe que se tem uma coisa que me move é assumir responsabilidades gigantescas, especialmente quando eu não faço ideia de como vou chegar do outro lado.

O que isso tem a ver contigo?

Bom, eu respeito plenamente a história, as prioridades e o momento de cada um.

Mas se tem uma coisa que não pode contar com a minha paciência e compreensão são as desculpas que as pessoas inventam e sustentam enquanto leem todos os livros de empreendedorismo, vivem no Instagram dos influencers mais bombados sobre empreendedorismo e não fazem nada por si mesmo.

Até quando vão ficar vendo a vitrine da vida dos outros enquanto seu projeto de vida se sufoca na gaveta do quarto, vegetando numa espécie de coma induzido?

Anota aí:

Resumo: você não compra gasolina antes de ter o carro.

Uma empresa no início da vida – leia-se 3 anos, pelo menos – é feita basicamente de uma pessoa (duas já é uma megacorporação!) motivada por responsabilidades, aprendizados e desafios se movendo para frente, sonhando com a realização de algo realmente muito importante para ela.

Se algum dia esse texto chegar a alguém que tem um sonho grande de lançar uma parada maneira e fazer disso um projeto de vida, tomara que essa pessoa se dê conta de que, antes de reclamar que as coisas são difíceis, sempre dá pra dormir um pouco menos, estudar e planejar algo na hora do almoço, abrir mão de alguns finais de semana e dar aquele passo que mais importa:

O primeiro.

Conheça o Bootcamp Proseek: um final de semana de gestão estratégica para empreendedores.

Fontes:

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