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Um empreendedor falido só precisa de alguém que acredite nele, uma única vez
Autor: Felipe Gentil

Um empreendedor falido só precisa de alguém que acredite nele, uma única vez

No segundo semestre de 2016 eu já não conseguia mais pagar meu aluguel nem a conta de telefone. Meu – super – pai bancava.

Nessa época eu tinha conseguido uma bolsa numa academia e ia nadar de manhã, antes de pegar o metrô até a sala de reunião emprestada, de onde eu tocava a Proseek, no escritório de um grande amigo, Illan Besen.

Criar um negócio do zero é cruel, de verdade. Mas ou você afoga os pensamentos ruins e as dúvidas na piscina como eu fazia todos os dias, ou você afunda com eles.  

Ninguém quer te ajudar, nada ao seu redor vai facilitar seu caminho. Mas sabe quanto tempo você tem pra ficar reclamando disso? ZERO.

Naquela fase eu realmente não conseguia enxergar uma forma de fazer a Proseek dar certo, mas é impressionante como você, de fato, só consegue ligar os pontos olhando pra trás, né?

E mesmo assim é absolutamente inacreditável perceber como é exatamente nos momentos mais inesperados que as coisas mais improváveis acontecem e mudam para sempre o seu caminho.

E é isso que eu vou mostrar nesse capítulo.

Em outubro de 2016 eu trabalhava sozinho em uma sala de reunião com 4 lugares na empresa do meu amigo Illan.

Rodrigo Fiszman – guarda esse nome – é um grande amigo que a XP me deu, que até levei pra passar carnaval com a minha família. 🙂

Ele saiu da XP quase um ano depois de mim – tinha decidido mergulhar no mundo das startups e foi me visitar.

Esse foi exatamente o momento em que a história da Proseek começou a mudar.

Empreendedor

Ensaiei meu pitch 3 milhões de vezes para aproveitar aquele momento.

Depois dos 20 minutos de papo sobre as novidades, hora do pitch.

Mandei bem, tenho certeza, mas o Rodrigo é foda. Ele sempre tem aquela perguntinha que alfineta seu pitch da forma mais provocativa que pode existir.

Terminamos o papo com ele dizendo: “Gosto da sua ideia, cara, mas coloca tecnologia nisso aí e me chama de novo.”

Considerando o momento que eu estava passando, esse momento poderia facilmente ter sido o sepultamento da Proseek.

A probabilidade de eu conseguir aplicar tecnologia na Proseek naquele momento era (quase) zero.

Mas tá aqui outra verdade que tirei dessa minha história com a empresa:

A nossa história é construída por uma sequência de apostas extremamente improváveis que precisam dar certo apesar de todas as circunstâncias.

Pra quem vê de fora, eu sei que as nossas escolhas beiram a insanidade em muitos casos. Mas na verdade é muito simples tomar decisões quando você não tem alternativas, né?

É mais ou menos assim que funciona: ou você aposta, ou você morre.

E era exatamente o que aconteceu comigo nos dias seguintes à visita do Rodrigo.

Então eu vou contar uma sequência de acontecimentos tão absurdamente improváveis que escolhi usar bullet points pra facilitar a sua compreensão.

Eu garanto que é tudo verdade, mas caso algo não fique claro, por favor, me manda um e-mail: felipe.gentil@proseek.com.br.

PAUSA: Só até aqui, você já consegue perceber o quão absurdamente improvável esse encadeamento de fatos é?

PAUSA: 2 anos antes eu tinha ido a um festival de food truck com a minha namorada e fiquei p*to com o atendimento. E pensei que deveria existir um app pra fazer os pedidos, pagar e ir retirar com um QR Code depois de ser notificado pelo celular.

Calma, você já vai entender o que isso tem a ver com a história da Proseek. Continuando:

PAUSA: O Diogo é meu amigo até hoje e esse é o e-mail dele para quem quiser confirmar a história: diogosimoesg@gmail.com.

Eu lembro como se fosse hoje: a reunião foi às 10h da manhã numa segunda-feira.

Reuni os caras na minha sala de reunião e cuspi na cara das probabilidades que me desafiavam.

3 caras que nunca tinham se cruzado na vida, ouvindo uma proposta mirabolante de um app.

Faz a conta ai! Qual a probabilidade?

Eu NUNCA parei pra fazer essas contas.

Sabe no que deu? Deu certo. Os três toparam embarcar no projeto do app, mas eu coloquei uma condição: que embarcassem na Proseek comigo também.

Tudo aconteceu muito rápido: começamos a procurar escritório, o Diogo começou a organizar a mudança dele e nós começamos a colar post its no canvas do BADODA app.

Em janeiro de 2017 eu me mudei da sala de reunião do Illan pra um apartamento que chamamos de escritório durante 1 ano. Colocamos as estações de trabalho na sala e fizemos 2 salas de reunião nos quartos.

Mas antes que você pense que daí pra frente foi só alegria, anota aí:

No dia 23 de dezembro e 2016, pouco mais de um mês depois de conhecer o Diogo naquela entrevista aleatória, ele foi para o Piauí e nunca mais voltou.  Tinha ido passar o natal com a família e alguns dias depois ligou pra explicar que tinha decidido encarar um projeto da família.

Além disso, menos de 6 meses depois da nossa primeira reunião juntos, o cara de tecnologia estava de saída da Proseek porque o Badoda demandava demais.

O resumo desse capítulo?

O contexto nunca vai ser favorável. As oportunidades não vão aparecer só porque você tem uma boa ideia/produto/projeto/negócio.

Não conheço um empreendedor foda que tenha escolhido caminhos “prováveis”.

Quer empreender?

Então você não pode dar muito espaço para os conselhos razoáveis que vai receber, mesmo das pessoas que você sabe que te querem bem. Elas têm razão em se assustar, mas você não.

Então esquece de uma vez por todas as probabilidades. Se tiver que acontecer, vai lá e constrói a oportunidade que você precisa com os farrapos que encontrar à sua volta.

P.S.: Nesse capítulo da história da Proseek cabe um tributo especial ao Rodrigo Fiszman, o sócio que todo mundo deveria ter. Um cara exemplar em todos os sentidos, que eu tenho enorme orgulho de ter como amigo-irmão, sócio e que acreditou em mim quando nem eu acreditava mais.

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Fontes:

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